AJEUM

Comida de Santo, comida de axé


Yabassê a guardiã do segredo. O segredo desta culinária é comandado pela guardiã da cozinha, a Yabassê. Aquela que “muito faz e pouco fala.” Quando se fala da sacerdotisa da comida, as formas mais antigas de transmissão do conhecimento trazida pelas diversas etnias africanas vão ser evocadas: a observação e a convivência. E o mestre dos mestres será mais uma vez chamado: o tempo. O conhecimento ritual, o respeito, a criatividade e o comando apresentam-se como o perfil da Yabassê e orientam à sua escolha, mesmo que, hoje, nos “novos tempos,” poucas sejam as mulheres que se disponham a tal cargo; não pelo gosto, mas pelas funções assumidas por elas na sociedade.

Yabá na sociedade Yorubá. A imagem da Yabassê apresentada pelos sacerdotes, remonta aos primórdios, quando Olodumaré, Deus, entregou o poder de criar e de tudo transformar às Grandes Mães. A velha que cozinha, divide, assim com o poder ancestral feminino esta força, assim como todas as mulheres. Daí recair sobre ela o tabu da impureza, que reflete as relações de poder, as tensões entre homem e mulher expressas em alguns mitos da sociedade yorubá, num ambiente onde embora sua função seja de procriar, ela goza de plena liberdade e independência dentro do grupo. Permitir que a mulher menstruada manipule a comida é expor toda a comunidade ao poder das Mães Ancestrais, que serve tanto para o bem, quanto para o mal. A Yabassê é, uma das pessoas que no terreiro, mais expressa essa força, pois trabalha com ela dia e noite, ao manipular a colher de pau para transformar grãos e alimentar tudo e todos, conservando, recriando e inventando.

Porque dar de comer ao santo. Segundo o Velho Testamento,que é o livro de todas as raças, no inicio dos tempos Abel irmão de Caim recolhia a melhor parte dos seus frutos e de sua colheita para ofertar a DEUS PAI. Ai foi dado o exemplo de em agradecimento ou para pedirmos a benção de Olorum ofertarmos o melhor de nossos alimentos, pois o alimento é o que existe de mais sagrado no reino dos seres vivos, pois é o que permite a sobrevivência das espécies no planeta.

Dando continuidade a ABEL, tivemos também NOé que após o diluvio quando encontrou terra firme, ergueu um altar de pedras e ofertou alimentos a Olorum.Nós do OMOLOKO DE NAGÔ, de acordo com o ensinamento dos orixás , para agradecer ou pedir a benção dos orixás, também fazemos oferendas dentro da lei dos orixás.

A oferenda ao SANTO pode ser utilizada em diversas ocasiões, como homenagens,ebós, feituras de santo, rituais de limpeza, ebós, pedidos de socorro, para curar uma doença e inúmeras outras situações.

Mas aqui fica um alerta ao povo de santo, nunca exagerem nas suas ofertas, pois para alegrar os orixás , não precisamos ofertar 21 pratos do MESMO AJEUM , conforme as vezes encontramos nas nossas matas e cachoeiras. Povo de santo pratiquem uma religião Ecológica . Na oferenda ao santo, na verdade estamos atraindo a força energética do orixá para nós, pois o santo é luz e poder e não come, nós é que precisamos do axé do orixá .

O Homem precisa da benção da natureza mas para isso a Natureza tem que ser preservada.

Pai Edson da Oxum